sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Nem o tímido nem o extrovertido!



Em geral, costumamos julgar que “a grama do vizinho é mais verde que a nossa”. Esse comportamento faz sentido se considerarmos que o ‘conhecido e próximo’ tende a revelar seus defeitos e suas ineficiências, enquanto que o ‘desconhecido e distante’ aparentar uma suposta perfeição. Mas esta não é uma verdade e, no fundo, sabemos muito bem disso.

Exemplo clássico desta dinâmica enganosa é o tímido que passa grande parte da vida admirando e desejando ser como o extrovertido e o extrovertido que, tantas vezes, gostaria de experimentar a suposta tranquilidade do tímido. O fato é que, quando extremados, esses dois jeitos de atuar no mundo rendem desconfortos e pedem ajustes se o objetivo é ser feliz, especialmente a dois.

Num relacionamento, principalmente se for de longo prazo, já é bastante comum termos de aprender a tolerar as diferenças e a lidar com as expectativas frustradas. Quando um dos dois apresenta certa característica marcante, o problema pode se tornar ainda mais complicado.

Para começar, é bom lembrar: toda personalidade tem seu charme e sempre haverá de agradar uns e outros. Cada qual satisfaz perfis e preferências diferentes. Neste sentido, há quem não resista ao jeito misterioso e introspectivo do tímido e há quem se apaixone rapidamente pelo jeito articulado e seguro que aparenta ter o extrovertido.

Claro que, dependendo da época e da cultura em que vivemos determinados comportamentos são socialmente mais valorizados que outros. Porém, o que conta mesmo é o desejo de cada um e o quanto cada casal se complementa a partir de sua história de vida e de suas crenças. Não há moldes, nem receitas e nem garantias. E é isso que torna as relações tão essenciais, mas vale refletir sobre as vantagens e desvantagens daqueles que ocupam lugares extremos.

Comecemos pelos tímidos: - têm dificuldades de demonstrar o que sentem e, por isso, podem sofrer mais do que sofreriam se conseguissem se expressar. - sentem-se deslocados e inseguros com mais frequência e, por isso, podem evitar festas, reuniões entre amigos e outras ocasiões onde teriam que se expor. - em longo prazo, os tímidos podem incomodar seu par por não se disporem a conversar. Isso tende a restringir bastante o círculo de amizades e as possibilidades de diversão em grupo. - em contrapartida, os tímidos – quando de bem consigo mesmos – tendem a não pagar micos desnecessariamente e nem incomodar ou desrespeitar o outro com excessos. - os tímidos também tendem a ser mais confiáveis já que não têm necessidade de falar, contar vantagem ou dividir informações.

Quanto aos extrovertidos, tudo pode parecer ‘flores’, mas nem sempre é assim: - eles cometem mais gafes por falar demais, muitas vezes sem pensar, e podem magoar as pessoas sem se dar conta. - em geral, gostam de ser o centro das atenções, falando alto e interrompendo o outro. Tem aqueles que contam piadas e exageram nas brincadeiras, mais constrangendo do que divertindo os demais. - quando estão com seu par, os extrovertidos podem provocar – conscientemente ou não – ciúme e incômodo ao outro, já que demonstram o que sentem de modo exagerado. - os extrovertidos, claro, tendem mesmo a ser ótimas companhias, amigos animadíssimos e envolventes.

Obviamente, circula melhor no mundo aquele que consegue se expressar, falar o que sente, o que quer e até o que pensa. Mas o melhor mesmo é quando aprendemos a ocupar o nosso lugar sem invadir o lugar do outro. Desse modo o amor, trabalho e a amizade se tornam bem mais prazerosos e equilibrados. Além disso, entre as vantagens e desvantagens de sermos quem somos, a ideia é buscarmos, dentro de nós mesmos, a medida mais justa e confortável para cada relação e cada situação que vivemos, e é essa flexibilidade que mais nos aproxima da satisfação e da felicidade.


Fonte

Beijos

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